AUTOMATIZAÇÃO INDUSTRIAL E TECIDOS TECNOLÓGICOS, O FUTURO DO SETOR TÊXTIL NO BRASIL

Em noite de sessões especiais que precederam a abertura oficial, a 33ª edição da IAF (International Apparel Federation) Convention, realizada pela primeira vez no Brasil, reuniu nomes de peso para debater o futuro da indústria têxtil e de confecção através de reflexões sobre temáticas que abordaram a tecnologia, insumos naturais e a própria construção de individualidade dos consumidores modernos.
 
Na primeira das quatro apresentações realizadas nesta segunda-feira (16), o CEO da TC2, Mike Fralix, trouxe à mesa de debates o desafio de efetivar a transição da manufatura para a indústria automatizada, integrando o ser humano durante o processo, mudança, esta, que já está em curso. 
 
Como exemplo desta nova indústria, Fralix citou as mesas de costura que permitem o movimento das peças de roupas entre elas, sem a interferência humana. Essa tecnologia já pode ser vista no setor têxtil e de confecção dos Estados Unidos e da Ásia. “Nós precisamos ser disruptivos para fazer mudanças. Além disso, temos que pensar na melhor qualidade dos produtos e na expansão dos negócios, fazendo com que as pessoas estejam incluídas nesse processo”, ressalta.
 
Apesar de exaltar a tecnologia como futuro da indústria e da mudança no perfil dos empregos gerados, o CEO da TC2 ressaltou a importância do trabalho humano para garantir o bom funcionamento dos dispositivos automatizados. “Os empregos serão diferentes, mas as pessoas serão fundamentais para diversos processos. Afinal, algumas máquinas necessitam de operação, mesmo que à distância, de alguém que a faça”, de acordo com Fralix. 
 
Têxteis técnicos
 
Abordando os novos mercados e as oportunidades disponíveis para os têxteis técnicos, a segunda sessão da noite reuniu especialistas nestes produtos, como Ricardo Cecci, coordenador de desenvolvimento tecnológico e inovação no Senai Cetiqt. “Sabemos que atualmente 70% do mercado é composto pelo consumo de fibras químicas. Existe uma tendência de mudança de têxteis tradicionais para técnicos”, afirmou. Segundo o pesquisador, a expectativa é de que o negócio deste segmento alcance o valor de U$ 315 bilhões em 2020.
 
Além do responsável pelo desenvolvimento de novos negócios no Grupo Solvay/Rhodia, Marcello Bathe, que falou sobre a meta da empresa com os têxteis técnicos: atuar de forma que o valor da venda de um produto não supere seu custo para o planeta, posicionamento ditado pela crescente preocupação com a sustentabilidade, e destacou também a busca por vestimentas conectadas. “Os consumidores querem que as próprias roupas transmitam sensações e informações, ou seja, as otimizando”, afirma Bathe. 
 
O debate foi mediado por Mariana Doria, especialista em Relações com Mercado do SENAI CETIQT e contou, também, com a participação do Fabien Darche, gerente de estilo de cores & materiais América Latina / LatAm Color&Trim Design e gerente de estilo de cores e materiais do grupo PSA Peugeot Citroën.
 
Algodão
 
A importância do algodão para a indústria têxtil brasileira foi o destaque da terceira sessão da última segunda-feira (16), que recebeu nomes como Arlindo de Azevedo Moura, presidente da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), ressaltou a qualidade do produto fabricado no país. Segundo o presidente da Abrapa, “hoje, 81% dos produtores são certificados ABR, e 71% BCI”, sendo que o BCI é uma certificação internacional e o ABR é de âmbito nacional, e 30% de todo o algodão BCI do mundo sai do Brasil.
 
Já o diretor comercial da Norfil, Ariel Horovitz, falou sobre o projeto Algodão Paraíba, iniciativa desenvolvida pela empresa no respectivo estado e que tem como objetivo aumentar sua representatividade como produtora de algodão, localidade já conhecida por suas plantações de algodão colorido e orgânico. 
 
Na mesma sessão, Paulo Borges, diretor da SPFW e CEO da Luminosidade, enfatizou o papel do consumidor nas constantes mudanças do mercado da moda, conclamando ainda os empresários brasileiros a fortalecer suas vocações em toda a cadeia produtiva, investindo “naquilo em que somos bons”. 
 
Fonte: Revista Meio Filtrante

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