Transformando estilo em indústria: Diálogos Criativos reúne lideranças da Moda na Casa Firjan
A 10ª edição do Diálogos Criativos, realizada pela Casa Firjan nesta quinta-feira (16/7) propôs ao público um olhar sobre a Moda, o soft power e o Brasil Core, tendência global que transforma a estética, a cultura e os símbolos brasileiros em um estilo de moda e comportamento. O encontro reuniu importantes lideranças empresariais e sindicais para debater os caminhos que fortalecem o setor, entendendo-o como estratégico para a Indústria.
“Somos nove sindicatos e diferentes segmentos da cadeia produtiva que compartilham os mesmos desafios. Portanto, colaboração é essencial para construirmos um setor mais forte, competitivo e preparado para o futuro. O Rio é reconhecido internacionalmente por sua criatividade. E a pergunta que nos reúne é como transformar a força criativa em força econômica. Esse é o desafio. Transformar estilo em indústria”, destacou Isadora Remy, 1ª vice-presidente da Firjan CIRJ, durante abertura do evento.
O Rio é reconhecido internacionalmente por sua criatividade. E a pergunta que nos reúne é como transformar a força criativa em força econômica. Esse é o desafio. Transformar estilo em indústria.
Isadora Remy, 1ª vice-presidente da Firjan CIRJ.
Fevest: soft power da região serrana
Um dos cases apresentados foi a Fevest Inspire, evento do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo (Sindvest) patrocinado pela Firjan SENAI SESI. A Fevest é a principal feira de lingerie, moda praia, fitness e matéria-prima da América Latina e reuniu, em junho deste ano, mais de seis mil visitantes e 140 marcas expositoras, incluindo empresas de Minas Gerais, Ceará, São Paulo e Rio Grande do Sul e de países como Argentina, Equador, Colômbia e Uruguai.
Gustavo Moraes, presidente do Sindvest, destacou a Fevest como um exemplo de forte mobilização setorial. “Há mais de três décadas, Nova Friburgo é a capital da moda íntima do Brasil. Isso ganha mais visibilidade durante a Fevest. O Sindvest atua com representação institucional, capacitação empresarial, relacionamento com poder público, defesa de interesses, inovação, promoção comercial e desenvolvimento de novos mercados”, destacou ele, que também é diretor da Firjan.
Um mercado que emprega e cria símbolos
De acordo com levantamento da Firjan, a partir de dados do Ministério do Trabalho, da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a cadeia da moda como um todo é responsável, no estado do Rio, por 152,7 mil empregos formais, o que representa 3,3% do total do mercado de trabalho formal do estado. Em 2025, encerrou o ano com seu maior nível de postos de trabalho desde a pandemia. A indústria da Moda emprega, atualmente, 45,5 mil trabalhadores registrados.
O cenário da Moda foi debatido com Carla Pinheiro, presidente do Sindicato das Indústrias da Joalheria e Lapidação de Pedras Preciosas do Estado do Rio de Janeiro (Sindijoias), diretora da Firjan e presidente do Conselho Empresarial de Mulheres; Isadora Remy, também presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado do Rio de Janeiro (Sinditextil) e vice-presidente do Conselho Empresarial de Novas Lideranças; e Ulisses Betbeder, vice-presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário do Rio de Janeiro e Grande Rio (Sindiroupas) – Moda Rio.
“A joia do Rio de Janeiro é um exemplo clássico de soft power. Temos a questão da bossa, do estilo de vida, de misturar cores, mantendo a elegância do produto. A joia incorporou a marca Rio e é reconhecida internacionalmente”, exaltou Carla. Ela aproveitou a mesa para falar sobre o projeto Instituto Elabora, desenvolvido junto à Firjan SENAI, que formou mulheres indígenas e ribeirinhas da Amazônia em ourivesaria. “Esse projeto conquistou olhares internacionais na COP-30”, complementou.
“A Werner Tecidos está em Petrópolis há 122 anos. A nossa marca leva tecidos de altíssima qualidade para o exterior. Somos indústria e fazemos sob demanda. Então, precisamos fortalecer o soft power fluminense para transformar essa visibilidade em emprego e riqueza para o estado”, explicou Isadora, lembrando também da necessidade de investimentos cada vez maiores em processos mais sustentáveis dentro da indústria têxtil.
“O soft power precisa ser convertido em nota fiscal, em valorização da indústria fluminense. Uma solução é investir em capacitação e tecnologia para aumentar a produtividade”, afirmou Ulisses Betbeder. Yamê Reis, fundadora do Rio Ethical Fashion, maior fórum internacional de moda sustentável da América Latina, também esteve presente na mesa, trazendo exemplos de como a cidade do Rio de Janeiro e seu life style se tornou referência de soft power.
| Público encheu o auditório da Casa Firjan. | Foto: Cris Vicente / Firjan. |
Fonte: Firjan
Publicado no site em: 27/07/2026